29º Concours International de Jeux de Société de Boulogne-Billancourt

Em 2010, seis anos após conquistar o primeiro lugar no concurso de Boulogne-Billancourt, eu e meu pai decidimos enviar novamente um jogo para esse prestigioso torneio. Fizemos isso por um sentimento muito claro: queríamos provar que poderíamos ganhar novamente o maior torneio de board game design da Europa. Que o prêmio que havia sido conquistado em 2004 não havia sido um golpe de sorte. Que nosso nível de criação era bom o suficiente para conquistarmos esse prêmio uma vez mais.

Enviamos um jogo chamado Shieldwall, um jogo de batalha medieval que utilizava uma pancada de dados. Para nossa alegria, após o duríssimo processo de seleção, fomos nomeados entre os dez finalistas e fomos à Europa participar da escolha final. Não vencemos. Segundo soubemos depois, uma noite antes da decisão, o corpo de jurados dividiu-se em duas facções. A primeira queria nos conceder o prêmio. A segunda votou por outro jogo.

Voltamos para casa com sentimentos mistos: por um lado, estávamos muito felizes, na medida em que estar entre os dez finalistas era um indicativo claro da nossa qualidade de criação. Mas frustrados por termos chegado tão perto do título e não termos levado o caneco. Mal sabíamos nós que, quatro anos depois, em 2014, esse mesmo jogo, com pequenas reformulações, viria a vencer esse torneio.

José Onça e Fabiano Onça acompanham uma partida do jogo Shieldwall, durante os dois dias nos quais ele foi exibido para os visitantes do CNJ (Centre National du Jeu), Paris, França.

 

Por que este torneio é importante?

O “Concours International de Créateurs de Jeux de Société” de Boulogne-Billancourt, promovido pela ludoteca de Paris, é um dos mais prestigiados concursos de game design de toda a Europa. A razão de sua fama está tanto na acirrada competição (participam 200 criadores de jogos do mundo todo) quanto nas rígidas regras do torneio.

Primeiro, os autores dos jogos são mantidos anônimos, para que não haja nenhum tipo de privilégio. Durante as diversas fases eliminatórias, os jogos são submetidos a diferentes juízes, que examinam e reexaminam as regras. Depois, nas fases subsequentes, as equipes de playtest testam os jogos diversas vezes, atribuindo notas a cada partida. O procedimento é feito até que, dos duzentos jogos iniciais, restem apenas dez finalistas.

Estes finalistas são então submetidos a uma avaliação final, por um júri composto de notáveis vindos de toda a Europa. Durante um final de semana, isolados num hotel, os membros da banca testam os jogos e, no domingo à tarde, anunciam a decisão final, no Palais du Jeu, diante de uma platéia formada por editores de jogos, outros criadores e diferentes tipos de fãs. O concurso é famoso por ter revelado alguns dos maiores criadores de jogos em atividade, como Bruno Faidutti, Serge Laget, Roberto Fraga e outros.