31º Concours International de Jeux de Société de Boulogne-Billancourt

Nesta edição do torneio, realizada em 2012, chegamos à final pelo terceiro ano consecutivo – uma honra e tanto! O jogo que apresentamos chamava-se “The Raj”, jogo de blefe no cenário da Índia colonial, dominada pelos britânicos (“The Raj”, o Reino, era o apelido dado a esta colônia pelos próprios ingleses).

Nele, um dos jogadores assumia o papel de Marajá, enquanto os outros jogadores assumiam o papel de camponeses. O objetivo do Marajá era tirar o máximo dos camponeses. E o dos camponeses era esconder o máximo de riquezas do Marajá. Um mecanismo de duplo blefe que nos pareceu muito original!

O jogo teve uma aceitação muito grande, principalmente entre nossos animados amigos catalães (em 2012, o torneio foi realizado em Barcelona), que adoraram os mecanismos de blefe! Infelizmente, porém, ainda não seria naquele ano que iríamos levar a taça! E lá voltamos nós para o Brasil com aquele velho sentimento: felizes por estarmos na nata da criação mundial, mas chateados por não termos vencido!

 

Cartaz do evento (em catalão!)

 

Explicando o jogo para um grupo de simpáticos catalões, durante os dois dias nos quais os criadores expunham seus jogos, durante o Europa Ludi, Barcelona, Espanha.

Cerimônia de anúncio dos vencedores. O momento mais tenso. Criadores da Inglaterra, Bélgica, Espanha, Itália, Alemanha, França e, claro, Brasil.

 

Por que este torneio é importante?

O “Concours International de Créateurs de Jeux de Société” de Boulogne-Billancourt, promovido pela ludoteca de Paris, é um dos mais prestigiados concursos de game design de toda a Europa. A razão de sua fama está tanto na acirrada competição (participam 200 criadores de jogos do mundo todo) quanto nas rígidas regras do torneio.

Primeiro, os autores dos jogos são mantidos anônimos, para que não haja nenhum tipo de privilégio. Durante as diversas fases eliminatórias, os jogos são submetidos a diferentes juízes, que examinam e reexaminam as regras. Depois, nas fases subsequentes, as equipes de playtest testam os jogos diversas vezes, atribuindo notas a cada partida. O procedimento é feito até que, dos duzentos jogos iniciais, restem apenas dez finalistas.

Estes finalistas são então submetidos a uma avaliação final, por um júri composto de notáveis vindos de toda a Europa. Durante um final de semana, isolados num hotel, os membros da banca testam os jogos e, no domingo à tarde, anunciam a decisão final, no Palais du Jeu, diante de uma platéia formada por editores de jogos, outros criadores e diferentes tipos de fãs. O concurso é famoso por ter revelado alguns dos maiores criadores de jogos em atividade, como Bruno Faidutti, Serge Laget, Roberto Fraga e outros.